A salicultura chegou a estar praticamente moribunda em Castro Marim, mas foi reativada pela mão de vários produtores e de várias entidades. Atualmente, ainda só está em exploração pouco mais de 10 por cento das salinas. Na última semana, produtores e outros especialistas debateram o futuro e a importância da atividade

Domingos Viegas / Jornal do Algarve

 A necessidade de criação de uma Denominação de Origem Protegida (DOP) e de se aumentar a áreas de produção, bem como a unificação de esforços para a conquista de mais espaço no mercado e a preservação da excelência do produto, foram algumas das conclusões do encontro "O Sal de Castro Marim", que decorreu no último sábado.

Esta iniciativa do Jornal do Baixo Guadiana e da Associação para a Geminação Castro Marim/Guérande, reuniu produtores de sal tradicional e outros especialistas no auditório da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Recorde-se que os produtores já conseguiram que o Sal de Castro Marim ostente um selo de certificação da Nature et Progrès e da Sativa, que o diferencia nos mercados nacional e internacional. Em conjunto com produtores de outras regiões, também já conseguiram que a União Europeia reconhecesse o sal como um produto agroalimentar, em vez de mineral, "um importante passo para se conseguir a Denominação de Origem Protegida, que é outra das nossas lutas", explicou Fernando Reis, presidente da Tradisal - Associação dos Produtores de Sal Marinho Tradicional do Sotavento Algarvio.

"Neste momento, a nossa luta vai também no sentido de proteger a produção de flor de sal, que é a nossa maior riqueza. Os produtores industriais já estão a entrar na flor de sal e o nosso objetivo é que ela seja reconhecida como uma atividade tradicional, para que só possa ser produzida por produtores tradicionais", acrescenta aquele dirigente associativo.

Mas em relação à denominação de origem, continua a não haver consenso. Há quem defenda uma DOP para Castro Marim, mas também há quem defenda uma DOP para todo o Algarve. "Pessoalmente, defendo a criação da DOP de Castro Marim, pois o sal já está perfeitamente identificado no mercado como Sal de Castro Marim, Sal de Tavira, Sal da Ria Formosa/Olhão...", diz Fernando Reis, frisando que esta "é uma opinião pessoal e não da Tradisal".

Durante o encontro, Ana Soeiro, da Qualifica (Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses) também defendeu esta ideia: "A marca 'Sal Tradicional do Algarve' não é registável. E mesmo que o fosse, poderia depois ser usada por qualquer outra indústria. Mas Castro Marim reúne todas as condições para registar uma DOP para o sal e para a flor de sal".

Jorge Moura, da Tradisal, recordou que alguns dos mais conceituados chefs de cozinha a nível internacional já consideraram o sal de Castro Marim como sendo o melhor do mundo. "Não quero ir tão longe, mas também não tenho pejo em afirmar que o sal e a flor de sal de Castro Marim estão ao nível do melhor que se produz no mundo", considerou o dirigente associativo.

No entanto, o francês Jean-Didier Gry, da Associação para a Geminação Castro Marim/Guérande, revelou que naquela localidade francesa, uma das mais importantes e mais conhecidas em termos de produção de sal, "diz-se, em voz baixa, que o melhor sal do mundo não é o que é produzido ali, mas sim o de Castro Marim".

Atualmente, em Castro Marim, apenas pouco mais de 10 por cento da área total de salinas é que está a ser explorada, encontrando-se a restante ainda ao abandono. Há alguns anos esta atividade estava praticamente extinta, mas a Tradisal, a Cooperativa Terras de Sal, a Reserva do Sapal e a própria Câmara Municipal de Castro Marim deram-lhe um novo impulso, através da recuperação de salinas e da procura de mercados para o sal e para a flor de sal recolhidos de forma tradicional, que hoje são já produtos cuja qualidade é reconhecida internacionalmente.

Os responsáveis da nova empresa municipal de Castro Marim, também já garantiram aos produtores que a NovBaesuris estará empenhada na defesa daquela atividade, retomando a criação do Museu do Sal (Centro Interpretativo do Sal), incentivando o reforço dos locais de venda do sal de Castro Marim naquela vila, bem como colaborando em atividades e ações que ajudem a afirmar a marca Sal de Castro Marim.